sábado, 6 de dezembro de 2008

Eu estava lá

Foram dois dias somente.
Repletos.
De alegrias e boas recordações.
Lembranças que se tornaram indeléveis.
Ficamos marcados por aqueles seis anos de convivência, de conivência, de ideais semelhantes.
Foram muitas amizades, muitos amores.
Mas o reencontro não foi só isso!
Além de revivermos o que já se foi também reconfiguramos nossas relações.
Reconsolidamos e estreitamos nossas amizades. A maturidade trouxe essa facilidade de intercomunicação. Já não concorremos!
Cooperamos.
Deveria ter sido sempre assim.
E é maravilhoso estarmos nesse estágio: força ainda plena, filhos criados, felicidade quase plena.
Passamos isso aos amigos.
Pena os que não entenderam isso e não vieram ao nosso encontro por medo de “viver um passado que não volta mais”.
O presente é que é lindo!

ZM 06/12/2008
Um poema que faça despertar meus filhos


Hoje eu não queria uma poesia choromingante.
Uma poesia que fale de sentimentos e de amores.
Hoje eu quero uma poesia que abra portas e janelas.
Que fale aos corações e mentes dos jovens.

Eu quero a poesia que empolgue as multidões
E que as faça refletir sobre seus desígnios.
Que as traga para dentro de si em auto-reflexão
E, movimento contrário, faça a catarse do vencedor.

Hoje eu quero o movimento das marés enchentes.
Sem o refluxo da vazante, apenas a enchente.
De alegria e vida pulsando jovial e sempre ativa,
Nos corações motivados e sem a apatia conivente.

Poesia que empolgue a moçada para unificar
Ver e criticar o que merece cair de podre.
Poesia que incite a fazer vir a força de derrubar.



Manhã de Sol da véspera da chegada da primavera 2007.
A pena da pena

Um dia disse que iria me encontrar.
Na leitura dos meus escritos.
No sorver-me de minhas idéias.
No entender dos meus ditos.

E eu esperei que você viesse.
Esperei, esperei, até cansar.
E esperando que estivesse,
Por sua leitura a se me dar,

Em vão esperei, pois você não veio,
Em vão por você não me saber,
De mim, aos saberes, teve receio,
O meu pensar não pode entender.

Então ficam apenas os benditos.
Ficam as penas de não saber se dar.
O deserto de escrever e ninguém ler.

ZM
22/05/2008


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Verão de secas e queimadas.

Se alguém duvida de que o mundo se acabará em fogo, deve viajar pelas estradas bahianas para deixar de duvidar!
As temperaturas são muito altas e o clima muito seco. A vegetação fica ressequida e a combustão vem espontaneamente.
Uma touceira de tiririca é onde geralmente o fogo começa. Essa planta seca e combustível se inflama com facilidade e o capim ao seu redor dá continuidade ao processo.
Inicialmente é apenas um fogo baixo, quase que somente fumaça, mas logo o vento atiça o fogo e o levanta. O crepitar das palhas é sinal de que o incêndio começou.
Logo as fagulhas estão voando quase livremente, obedientes apenas à direção do vento.
E o fogaréu se alastra.
Como estamos falando de incêndios às beiras de estradas, lembremos que as fagulhas facilmente atravessam as pistas de rodagem e o fogo se dá na outra margem.
A estrada fica entre dois fogos.
O inferno está ali.
Motoristas pegos de surpresa entre os fogos e com fumaça encobrindo a visão.
Caminhões de fardos de algodão carregados facilmente se incendeiam...
E são vastidões de terra que se calcinam.
Não são pequenas áreas apenas.
Hoje pode se ver que desde Salvador até a região cacaueira estão queimadas as margens das estradas, e até longe se vê o estrago.
Gado morto por falta de água, sem pasto.
As reses mortas no pasto atraem os urubus.
A seca aí está.
Dessa vez mais monstruosa.
Desse aquecimento global.

José Mesquita.
10 de Novembro de 2008.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Odeio quem não toma sopa em xícara


Odeio pessoas que só sabem tomar sopa em prato fundo e querem corrigir quem toma sopa na xícara.
Quem acha que a sua estética é a única do mundo além de burro é limitado.
Há pessoas que realmente só entendem a ditadura das griffes e supõem que o que se queira fora daí é “cafona”.
Aliás, rotular alguém é típico de idiotas como os que não tomam sopa em xícara.
Quem não usa meias nas orelhas, quem não faz rabo de cavalo em careca.
Odeio pessoas enquadradas.
Patrulhadoras.
Há aqueles que, sendo de esquerda, patrulham e riem de outros que são de direita. Há os de direita que criticam os de esquerda.
Os que se acham intelectuais, geralmente acadêmicos, supõem deter o conhecimento único e verdadeiro, por isso mesmo é que dizem que os paradigmas são transitórios, devem essa transitoriedade às suas obtusidades. Fecham os olhos às evidências porque ferem suas pobres convicções. E agridem a realidade para adaptá-la às suas convenientes convicções.
Mulheres que querem dominar impondo seus paradigmas estéticos desconhecendo que o tempo corre igualmente para todos e mais ainda para si mesmas que muita atenção dão a uma falsa estética corporal ditada por lucrativos consórcios entre clínicas de estética e academias de ginástica acompanhadas por cirurgiões plásticos, dermatologistas e esteticistas.
Vão todos vocês à merda. Ou à puta que os pariu se lhes for mais conveniente.

José Mesquita
Em 04/10/2008 (véspera de mais uma mentira nacional esperando que todos percam essa pôrra de eleição).

sábado, 18 de outubro de 2008

Isso não

Vou sair por aí e me enganar, pensando que ainda sou adolescente e posso acreditar em um mundo bom e uma humanidade mais justa!
Vou calçar meu sapato marrom, meus jeans, minha camisa larga e estampada. Cabelos longos outra vez, sem falhas e escuros, encaracolados.
Serei muito magro outra vez, minha barba rala e sempre por fazer, com as longas costeletas.
Não, dessa vez não fumarei, mas continuarei bebendo.
E andarei de novo em ônibus e a pé também.
Minha pele mais uma vez bronzeada.
Tentarei jogar futebol mais uma vez e voltarei a ser nadador. Pescarei de novo nas praias da Pituba e andarei pelas praias de Salvador.
Novamente serei estudante, lerei de novo, com prazer, tudo que já li e muito mais.
Ah! Irei mais a cinemas. Namorarei mais e não perderei oportunidades de pedir perdão à amada e de dizer, sempre, que a amo.
Só não poderei voltar a ter a ingenuidade de antes, isso não volta.
Já não poderei crer que há sentido em lutas políticas.
Não acreditarei que alguma ideologia é justa.
Isso não.
Desculpem mas desilusão não tem volta...

José Mesquita
Outubro de 2008.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Vento de Agosto na Pituba e as Arraias


O vento de Agosto era o mais forte do ano na beira da praia da Pituba.
O bairro ficava cheio de garotos nos dias de domingo. Era invadido.
Vinham meninos de todos os lugares.
O bairro, normalmente tranqüilo em dias de semana, tornava-se muito freqüentado e efervescente nos domingos de Agosto.
A causa disso era o vento.
O vento nessa época do ano favorecia o doce e lúdico esporte de empinar arraias.
E quando o vento tardava a meninada chamava: “São Lourenço cadê o vento?”. E o vento obedientemente soprava...
Empinar ARRAIAS.
Nada de “pipas”. Isso era coisa de sulistas. Assim era o modo como os cariocas e paulistas chamavam os papeis armados de taliscas que voavam guiados por linhas em nossas mãos.
O nome correto, lógico, era arraia.
Feitas com papel de seda, quase sempre. Podia ser também de jornal.
Um retângulo de papel. Único, uma só cor ou mais de uma. Geralmente mais de uma.
Muitas tricolores: azul, vermelho e branco. As cores do Esporte Clube Bahia, time de maior torcida, o mais popular, campeão brasileiro de 1959.
Para armar as arraias e fazê-las enfunarem-se ao vento colocávamos taliscas de madeira em duas diagonais do retângulo. Quase sempre de “flechas” (varas de vegetal leve semelhante à taboa) que eram vendidas nos antigos armazéns da Pituba. Nos armazéns de Arnaldo, no Popular e na Casa São João (um pouco mais distante, já no bairro da Amaralina).
Cortava-se uma parte da flecha em comprimento igual ao do retângulo da arraia e então era quadripartida em secções através de uma incisão em cruz. O excesso de macela da face interna era raspado com a faca até que só restasse a porção lenhosa e débil, leve e resistente. Então se colava, goma de farinha, uma flecha de cada lado, seguindo as diagonais.
Depois era fazer a “chave”: quatro pontos (dava maior jogo e menos resistência), cinco pontos, menos jogo e mais fortaleza. A “chave” era a armação de linha que amarrava a arraia ao carretel. A chave inferior era sempre de dois pontos, um em cada extremidade inferior das flechas. No meio dela amarrava-se a rabada. A rabada era um enorme fio, geralmente com uma grande fila de bolinhas de algodão amarradas em fila. Maiores as mais próximas da arraia e progressivamente menores até o fim do rabo. Quanto maior a rabada mais estabilidade. E menos mobilidade.
Além disso, havia o carretel. Chamava-se de “carrinho”. Porque era um carretel de madeira com um eixo que colocávamos através do furo central, de um lado ao outro. O eixo facilitava a rapidez do desenrolar (“dar linha”) e enrolar (“recolher”) a linha, assim aproximando ou afastando as arraias do empinador. Um dos meninos da Pituba era conhecido como “Pedro Empinador de Arraia”.
Todo esse aparato servia para travar batalhas aéreas!
As linhas que empinavam as arraias eram “temperadas”.
O tempero era feito com vidro moído (nós mesmos fazíamos a moagem com garrafas velhas e pedras como moedores) e cola, geralmente “goma arábica”. As linhas tornavam-se cortantes. Foram proibidas anos mais tardes porque cortavam fios elétricos e gargantas de motociclistas. Mas naquele tempo da minha infância serviam apenas para cortar as linhas de outras arraias.
As guerras chamavam-se “pegadas”.
Uma arraia levantava e dava linha, ficava dançando, vários “passos”, “a-u”, “jogo”, “oito”, e o que a criatividade e habilidade permitissem.
Na verdade eram tão “danças” quanto o eram os passos da capoeira. Engano: eram golpes para derrubar a arraia adversária. Tão logo subia ao céu outra subia e desafiava.
E aí era o jogo de dançar, golpear, recuar, dar linha e recolher, até que o golpe fatal derrubava, cortava a linha e o comando.
Aí é que vinha a verdadeira festa. A corrida atrás da arraia que caia, quem a alcançasse primeiro só ficava com o troféu se conseguisse livra-lo da sanha dos demais que por certo a rasgariam.
Nenhum muro ou portão, nem mesmo telhado, era respeitado nessa perseguição.
Ah, vocês já leram “O Caçador de Pipas”?
Não foi no oriente não.
Foi na Pituba.
E eu estava lá...

04 de Novembro/ 2007.
Joseph K. cancela telefone


Franz Kafka ao escrever o seu famoso livro “O Processo” não sabia que no século seguinte aqueles absurdos estariam instituídos para lá da Justiça.
Em 1925, lançado postumamente, o livro retrata uma absurda situação em que o protagonista é acusado de algo que não está definido e em momento algum lhe é dado a conhecer a acusação.
Os canais e descaminhos da Justiça são tortuosos e burocráticos.
A instituição não está preocupada com a verdade mas sim com os ritos e o processo segue seu caminho normativo independentemente de que sirva à sociedade ou não.
Na verdade está ligada em satisfazer à classe dominante e a não dar satisfações a outrem que não aqueles.
Assim, independentemente do que se possa extrapolar para a Justiça atual, certamente sem mudanças de postura ou posição, com sua tintura de “democrática” e a serviço do “Estado de Direito”, realmente impostora de tal situação, travestindo em mentiras a realidade e a serviço da fantasia ditatorial do poder instituído, justificando-lhe os atos, independentemente disso, o que se quer aqui é comentar a transposição dessa situação ao cotidiano real.
Exemplificadas pela práxis jurídica, as empresas contemporâneas adotaram o rito e a liturgia.
Consolidaram a impessoalidade no “atendimento eletrônico”.
Aliás, nisso se parecem mais com o enredo de outro livro de Kafka, “O Castelo”.
Nunca ninguém consegue falar com quem resolve qualquer coisa.
Mas os descaminhos e subterfúgios são kafkanianos enfim.
Tentei durante mais de duas horas falar com uma empresa de telefonia e cancelar uma conta telefônica.
Conta de dezessete anos e com as contas pagas religiosamente em dia. Apesar de serviços ruins cotidianamente prestados e regiamente cobrados.
Linha adquirida a peso de ouro em prestações durante dois anos e instalada após seis meses de espera.
Devido às mudanças ocorridas pelo processo não vale mais nada e não pode ser vendida. Se você já não a quer o que lhe resta é apenas pedir o desligamento. E aí é que vem o sofrimento.
Os atendentes telefônicos, na verdade torturadores bem treinados e disfarçados de finos e educados, se esforçam no gerundismo oficializado em lhe informar que “vão estar transferindo para que o senhor possa estar falando para estar conseguindo estar obtendo um número para estar fazendo o cancelamento”.
Após tanto “redondismo” descobrimos que “estaremos sendo transferidos” permanentemente de um torturador para outro, na tentativa de esgotarmos a nossa santa paciência. E a qualquer tentativa de exaltação nossa surge imediatamente a ameaça: “senhor, devemos estar informando de que essa gravação está sendo gravada”.
Após entrar em contato com doze ou quinze torturadores somos informados de que para cancelar a linha telefônica faz-se necessário “estar cancelando a assinatura da internet em banda larga” embutida na linha telefônica.
Ingenuamente você tenta argumentar com a Lógica: mas se cancelarmos a linha telefônica a internet não terá acesso. Apesar de ser tão óbvio não logramos convencer o solípede do outro lado da linha.
“Infelizmente senhor devemos estar informando que o senhor deve estar fazendo uma nova solicitação de quer estar cancelando o seu acesso à internet também”.
Aviso ao muar que isso não me foi informado pelos quatorze quadrúpedes que o antecederam.
Já pronto a dar coices também sou transferido para o asinino que deve por fim cancelar o acesso à internet.
Após mais um aviso de que o atendimento se faria dentro “aproximadamente” um minuto, passo quinze minutos brindado por uma horrorosa musiquinha inidentificável e à repetição hipnótica com sugestões de que aquela operadora de telefonia é a melhor, mais barata e mais eficaz do mundo.
Já quase hipnotizado por tais demoradas sugestões sou salvo pelo gongo. Um filho de Deus atende ao telefone.
“É agora” penso aliviado.
O energúmeno torturador me pede pela décima sexta vez o meu nome, os três primeiros dígitos do meu CPF (será que os três últimos não serviriam? Ou os três do meio? Por que os três primeiros?), meu endereço, o nome da minha mãe (o do pai não pedem nunca, provavelmente por complexo de serem filhos de freqüentadoras de lupanares e acharem que todos o são também), certificado de reservista, conta bancária, certificado de vacina, número do sapato.
Mais uma vez pergunta o número do telefone do qual estou ligando. Como se não estivesse identificado pelo seu Bina.
Venço a maratona, sou mais resistente do que eles esperavam.
Então ele inicia uma nova etapa, me pergunta por que eu quero deixar de usar uma linha que dá acesso de “qualidade superior à internet em banda larga”. Fico muito tentado a dizer que está mais para bunda larga mas como sei que ele vai me ameaçar com a gravação da ligação (brrr, que meda) desisto e apenas respondo que não é de qualidade superior e que funciona muito mal.
O mentecapto inquire qual o motivo de querer o desligamento, antes de mandá-lo à merda de barquinho para não afundar, respiro fundo e, impessoalmente, respondo que é motivo pessoal.
O oligóide passa a me oferecer uma “série de vantagens” que já estavam impressas no folder que a empresa envia.
Certo de que esses são os seus espasmos finais de resistência, recuso impavidamente todas elas.
Ele parece não ter mais argumentos, acho que venci.
-“Um momento senhor que eu vou estar abrindo o sistema para estar verificando”.
A musiquinha de novo. Podiam colocar outra. Mas porque o fariam?
Quinze minutos abrindo o sistema. Espero que hoje à noite a mulher dele leve tanto tempo quanto ele para abrir o sistema dela...
-“Obrigado por aguardar senhor”.
Será?
Não falta mais nada?
Duvido.
Acho que é mais algum golpe. Preparo-me para mais paciência.
Surpresa!
Vem a capitulação.
-“Queira por gentileza estar anotando o número do protocolo de cancelamento senhor”.
UUUUUUUUUUUUFA...
Pergunto ainda: isso cancela também a linha telefônica?
Lógico que a resposta é não.
Mais quinze minutos e vem o novo número de protocolo, agora sim. A linha está cancelada. A partir de amanhã.
Mas agora me deu saudade daquela linhazinha que me acompanhou por quinze anos...
Será que desconsiderariam o pedido.
Isola!
Isso é resultado tardio daquele hipnotismo via telefônica...

04/01/08

Joseph K.
(ZM)

sábado, 11 de outubro de 2008

A Sucessora
“Até agora, tudo o que se disse a respeito da ministra dava conta apenas de que combatera nas fileiras da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, a VAR-Palmares, um dos principais grupos armados da década de 60”. Dilma Rousseff, no entanto, teve uma militância armada muito mais ativa e muito mais importante. Ela, ao contrário de José Dirceu, pegou em armas, foi duramente perseguida, presa e torturada e teve papel relevante numa das ações mais espetaculares da guerrilha urbana no Brasil — o célebre roubo do cofre do governador paulista Adhemar de Barros, que rendeu 2,5 milhões de dólares.
O assalto ao cofre ocorreu na tarde de 18 de julho de 1969, no Rio de Janeiro. Até então, fora "o maior golpe da história do terrorismo mundial", segundo informa o jornalista Elio Gaspari em seu livro A Ditadura Escancarada. Naquela tarde, a bordo de três veículos, um grupo formado por onze homens e duas mulheres, todos da VAR-Palmares, chegou à mansão do irmão de Ana Capriglioni, amante do governador, no bairro de Santa Teresa, no Rio. Quatro guerrilheiros ficaram em frente à casa. Nove entraram, renderam os empregados, cortaram as duas linhas telefônicas e dividiram-se: um grupo ficou vigiando os empregados e outro subiu ao quarto para chegar ao cofre. Pesava 350 quilos. Devia deslizar sobre uma prancha de madeira pela escadaria de mármore, mas acabou rolando escada abaixo. “A ação durou 28 minutos e foi coordenada por Dilma Rousseff e Carlos Franklin Paixão de Araújo, que então comandava a guerrilha urbana da VAR-Palmares em todo o país e mais tarde se tornaria pai da única filha de Dilma.”

Alexandre Oltramari

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Palavras não são mortas por rifles

Palavras, assim como as mãos, são instrumentos ativos do pensamento.
Umas e outras são ativas.
Podem, ambas, mudar, induzir, levantar, derrubar, acarinhar, incentivar, amar, odiar, castigar e matar.
As palavras, apesar de etéreas, apesar de serem insubstanciais, tem maior amplitude de alcance, tem ainda maior agudeza de penetração. As palavras são mais contundentes que as mãos. Também, paradoxalmente, são mais duradouras.
Mas isso depende de quem as ouve ou de quem as lê. Sim, porque as palavras têm essa característica a mais que as mãos: podem se tornar materiais se escritas. Nesse caso serão definitivamente indeléveis.
Palavras têm um poder de amor, têm um poder devastador. Devastam ou constroem impérios, poderes e amores. Assim como os destroem.
Única e exclusivamente porque palavras são traduções de idéias e essas são os motos do mundo cognoscível.
Apreendedoras e tão bem assim suas explicadoras. Mãos assim também são instrumentos de idéias.
Mais toscos, pois agem apenas no plano material. Porém constroem, o que palavras apenas induzem.
Mãos podem fazer coisas celestiais como os toques e carícias da amada nos momentos de enlevo e paixão. Início de amor, vez das mãos, palavras silentes.
Mãos “falam”, palavras devem calar.
Mãos tão bem como as palavras podem executar desígnios piores mas, talvez úteis ou necessários.
Podem matar.
Mas ambas podem ser combatidas.
Por palavras se combatem palavras e mãos.
Por mãos não se deveriam combater nem outras mãos nem, muito menos palavras.
Mãos disparam rifles.
Mas rifles não matam palavras!


23 de Setembro de 2007.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Delimitando território

Recomeçar pode ser uma tarefa agradável ou não.
Esquecer tudo que já foi feito e começar de novo é uma perda inolvidável.
Manter o que pode ser aproveitado e usar em um novo empreendimento é uma tarefa proveitosa, mas trabalhosa.
Assim o que aqui farei será uma atividade lúdica situada proximamente à segunda assertiva.
Usarei textos antigos que me agradam e criarei outros novos e saborosos.
Afinal de contas esse espaço é meu.
É para meu prazer.
Não conto ter leitores.
Se vierem será por garimpagem e por iniciativa própria.
Não os expulsarei. Também não darei alvíssaras.
Aqui é a caverna do urso.
O espaço é meu.

09 de Outubro de 2008.