Palavras não são mortas por rifles
Palavras, assim como as mãos, são instrumentos ativos do pensamento.
Umas e outras são ativas.
Podem, ambas, mudar, induzir, levantar, derrubar, acarinhar, incentivar, amar, odiar, castigar e matar.
As palavras, apesar de etéreas, apesar de serem insubstanciais, tem maior amplitude de alcance, tem ainda maior agudeza de penetração. As palavras são mais contundentes que as mãos. Também, paradoxalmente, são mais duradouras.
Mas isso depende de quem as ouve ou de quem as lê. Sim, porque as palavras têm essa característica a mais que as mãos: podem se tornar materiais se escritas. Nesse caso serão definitivamente indeléveis.
Palavras têm um poder de amor, têm um poder devastador. Devastam ou constroem impérios, poderes e amores. Assim como os destroem.
Única e exclusivamente porque palavras são traduções de idéias e essas são os motos do mundo cognoscível.
Apreendedoras e tão bem assim suas explicadoras. Mãos assim também são instrumentos de idéias.
Mais toscos, pois agem apenas no plano material. Porém constroem, o que palavras apenas induzem.
Mãos podem fazer coisas celestiais como os toques e carícias da amada nos momentos de enlevo e paixão. Início de amor, vez das mãos, palavras silentes.
Mãos “falam”, palavras devem calar.
Mãos tão bem como as palavras podem executar desígnios piores mas, talvez úteis ou necessários.
Podem matar.
Mas ambas podem ser combatidas.
Por palavras se combatem palavras e mãos.
Por mãos não se deveriam combater nem outras mãos nem, muito menos palavras.
Mãos disparam rifles.
Mas rifles não matam palavras!
23 de Setembro de 2007.
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